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“A prioridade é criar um grupo de árbitros de elite, trabalhando de modo profissional. Queremos aprimorá-los, a exemplo dos jogadores que se aprimoram dia após dia”, revela o ex-árbitro Massimo Busacca, chefe do Departamento de Árbitros da FIFA. Massimo Busacca exerceu a profissão de árbitro durante 22 anos e apitou mais de cem partidas internacionais de alto nível, entre as quais se destaca a final da Liga dos Campeões FIFA.com: Neste ano você trocou de lado: de árbitro internacional a chefe do Departamentode Arbitragem da FIFA. Quais os principais motivos para a mudança? Massimo Busacca: A minha atuação em campo durante muitos anos me dá boas chances de repetir o mesmo também fora de campo. É uma excelente oportunidade de transmitir tudo o que aprendi aos futuros árbitros de elite, que vão apitar os jogos das nossas principais competições. Não chega a ser uma mudança: continuo vivendo e respirando futebol todos os Sente falta dos gramados? Como foram os primeiros meses na condição de dirigente da FIFA? Em que consistem as suasfunções? A FIFA representa aos árbitros o que as seleções representam aos jogadores. E eu quero ser o treinador desta seleção nacional. Temos de atuar como uma equipe de futebol; temos de viver e respirar futebol todos os dias. A minha prioridade é criar um grupo de árbitros de elite, trabalhando de modo profissional. Queremos aprimorá-los, a exemplo dos jogadores que se aprimoram dia após dia, treinamento após treinamento. Assim como os jogadores atuam nos seus clubes, os árbitros apitam as partidas dos respectivos campeonatos nacionais. Então os jogadores são convocados para a seleção, e algo semelhante acontece com os árbitros chamados para apitarem torneios da FIFA. Para isso, obviamente é necessária uma estrutura de âmbito mundial, motivo pelo qual criamos um grupo de instrutores. Fornecemos uma mensagem clara de como eles devem acompanhar os árbitros e assegurar a qualidade. Cabe ao grupo indicar os melhores árbitros para as nossas competições. Os melhores árbitros estarão na Copa do Mundo da FIFA 2014, no Brasil. Como ocorre oprocesso de seleção e treinamento? Ele já começou? O pontapé inicial foi a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, no Japão. Escolhemos alguns árbitros para podermos observar as qualidades deles e analisar se estão prontos para serem candidatos para 2014. O ano que vem será fundamental. Vamos criar uma lista de árbitros de elite, mas ela vai permanecer aberta até o fim. Ou seja, o árbitro entra na lista, mas sai dela caso não se adeque ou não trabalhe de modo apropriado. Essa mensagem será transmitida a todos os árbitros de todas as confederações. O presidente da FIFA comentou que os árbitros da Copa do Mundo da FIFA 2014 serão todosprofissionais. Você considera a profissionalização essencial à arbitragem? Como os jogadores, os árbitros precisam treinar diariamente. Não se pode mais aceitar que as federações não forneçam estrutura e oportunidades iguais para a preparação dos árbitros. Eles precisam de treinador e de preparador físico durante a semana. Precisamos ter certeza de que estão trabalhando corretamente, que vivem e respiram futebol todos os dias. Caso contrário, o desempenho acaba dependendo da sorte. É necessário proporcionar aos árbitros tudo de que eles precisam para a preparação. Em outras palavras: profissionalismo. Não tem a ver só com salário. Quantos clubes investem muito dinheiro e não conquistam títulos? As federações são responsáveis pelos seus árbitros e devem fazer muito em prol deles. Quando eles se apresentam para atuarem em nossos torneios, não conseguimos mudá-los em cursos de uma semana. Já ouvimos falar muito do Programa de Auxílio à Arbitragem. Como esse programa ajudará osárbitros a serem mais eficientes? Estamos investindo muito dinheiro na formação dos árbitros. Quase todos os dias são ministrados cursos mundo afora. Tudo o que fazemos na formação, nós vamos fazer durante as competições. É fundamental. É preciso que as nossas estruturas em âmbito mundial trabalhem de acordo com as nossas diretrizes. Na Alemanha, o árbitro Babak Rafati tentou se suicidar e alegou uma pressão crescente sobrea categoria. Como ajudar os árbitros a suportarem essa pressão? Existe pressão em toda e qualquer atividade. Hoje em dia, se você atinge altos patamares em seja qual for o trabalho, você enfrenta pressão. Claro que na arbitragem a pressão é maior, afinal há muito dinheiro envolvido, e uma decisão equivocada muda tudo. Mas temos de conviver com isso. Em retrospectiva, analisando a minha própria carreira, eu me sentia mal quando tomava decisões erradas. Mas sempre tentava esquecer logo e ficar pronto para o
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