Estudo sobre comportamento dos árbitros contraria recomendação da FIFA

Estudo sobre comportamento dos árbitros contraria recomendação da FIFA e traz novidades

Pesquisa também detectou que estar “em cima do lance” não garante acerto e que os juízes são submetidos a um esforço físico comparável ou até superior ao dos atletas.

Tese de doutorado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisou diversos aspectos referentes à atuação do árbitro dentro de campo, como distâncias percorridas, nível de concentração, erros e acertos. O trabalho mostrou que 72% das faltas apitadas em campo foram consideradas corretas pelos árbitros da comissão e que, nos últimos 15 minutos da partida, os erros são menos freqüentes.

Dos 30 minutos do segundo tempo até o final do jogo, mais de 85% das faltas foram marcadas corretamente. Já nos primeiros 15 minutos do 2º tempo, quase 46% das marcações foram consideradas erradas. Segundo psicólogas que acompanharam o estudo, as principais razões que podem levar os árbitros a se mostrarem mais atentos no final do jogo são a menor ansiedade e maior ativação.

 

Para o autor da tese, o fisiologista e professor da Unifesp Mario César de Oliveira, acredita-se que isso seja resultado da sensação de “alívio” do juiz por ter cumprido a tarefa de apitar o jogo. “No começo da partida, existe uma preocupação sobre o andamento do jogo. No final, a sensação de ‘missão cumprida’ pode dar uma certa segurança para o árbitro”, afirma.

O estudo também comprovou haver uma relação direta entre o acerto na marcação das infrações e a distância do árbitro em relação à jogada. Mas com uma surpresa. Nem sempre estar “em cima do lance” garante o acerto. Nas distâncias entre 20 e 25 metros, os juízes mostraram mais condições de visualizar a falta. Mais de 80% das infrações marcadas a esta distância foram consideradas corretas pela comissão. Nas distâncias de 15 a 20 metros, houve maior número de erros, com mais de 32% de falha dos juízes. A distância entre o juiz e a jogada recomendada pela FIFA é de aproximadamente 18 metros.

O estudo analisou oito árbitros da Federação Paulista de Futebol que atuaram nos jogos do Campeonato Paulista Sub-20 de 2002. A média de idade dos juízes observados era de 26 anos.

Profissionalização

O desgaste físico dos árbitros durante as partidas também foi analisado. Uma conclusão preocupante, se pensarmos na qualidade final da arbitragem, é que o juiz é exigido como um atleta profissional, mas não tem um treinamento exclusivo, que lhe garanta um condicionamento físico digno de um Cafu, Kaká ou Adriano. Para o autor da pesquisa, “se a arbitragem de futebol fosse elevada à categoria de profissão e se a dedicação à função fosse em tempo integral, eles poderiam ter um desempenho melhor”.

A pesquisa constatou que, em média, os juízes perdem 2 quilos em cada jogo e percorrem quase 9.400 metros. Segundo Oliveira, “essa distância é bem grande, se comparada com a percorrida pelos jogadores, que varia, de acordo com a posição, entre 8 e 11 km”.

A freqüência cardíaca observada demonstrou um bom preparo físico dos juízes, já que a média se manteve em 160 batimentos por minuto e, a máxima, chegou a 166 no primeiro tempo. Os árbitros demonstraram predominância de “trotadas” durante o jogo, o que acontece em quase 44% do tempo da partida. A “caminhada” também é comum por parte dos árbitros, sendo observada em mais de 31% da partida. Os “piques” são dados em apenas 1,13% do jogo.

Concentração

Foi comparado ainda o nível de concentração dos juízes antes e depois da partida. O desempenho no teste de atenção concentrada não apresentou diferença no início e no final do jogo, mas o teste de rapidez teve resultados superiores após os 90 minutos. Os árbitros apresentaram quase 20% de melhora no teste de rapidez ao final do jogo.

Fonte: Tese de doutorado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Foto ilustrativa

 


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