Para o autor da tese, o fisiologista e professor da Unifesp Mario César de Oliveira, acredita-se que isso seja resultado da sensação de “alívio” do juiz por ter cumprido a tarefa de apitar o jogo. “No começo da partida, existe uma preocupação sobre o andamento do jogo. No final, a sensação de ‘missão cumprida’ pode dar uma certa segurança para o árbitro”, afirma.
O estudo também comprovou haver uma relação direta entre o acerto na marcação das infrações e a distância do árbitro em relação à jogada. Mas com uma surpresa. Nem sempre estar “em cima do lance” garante o acerto. Nas distâncias entre 20 e 25 metros, os juízes mostraram mais condições de visualizar a falta. Mais de 80% das infrações marcadas a esta distância foram consideradas corretas pela comissão. Nas distâncias de 15 a 20 metros, houve maior número de erros, com mais de 32% de falha dos juízes. A distância entre o juiz e a jogada recomendada pela FIFA é de aproximadamente 18 metros.
O estudo analisou oito árbitros da Federação Paulista de Futebol que atuaram nos jogos do Campeonato Paulista Sub-20 de 2002. A média de idade dos juízes observados era de 26 anos.
Profissionalização
O desgaste físico dos árbitros durante as partidas também foi analisado. Uma conclusão preocupante, se pensarmos na qualidade final da arbitragem, é que o juiz é exigido como um atleta profissional, mas não tem um treinamento exclusivo, que lhe garanta um condicionamento físico digno de um Cafu, Kaká ou Adriano. Para o autor da pesquisa, “se a arbitragem de futebol fosse elevada à categoria de profissão e se a dedicação à função fosse em tempo integral, eles poderiam ter um desempenho melhor”.
A pesquisa constatou que, em média, os juízes perdem 2 quilos em cada jogo e percorrem quase 9.400 metros. Segundo Oliveira, “essa distância é bem grande, se comparada com a percorrida pelos jogadores, que varia, de acordo com a posição, entre 8 e 11 km”.
A freqüência cardíaca observada demonstrou um bom preparo físico dos juízes, já que a média se manteve em 160 batimentos por minuto e, a máxima, chegou a 166 no primeiro tempo. Os árbitros demonstraram predominância de “trotadas” durante o jogo, o que acontece em quase 44% do tempo da partida. A “caminhada” também é comum por parte dos árbitros, sendo observada em mais de 31% da partida. Os “piques” são dados em apenas 1,13% do jogo.
Concentração
Foi comparado ainda o nível de concentração dos juízes antes e depois da partida. O desempenho no teste de atenção concentrada não apresentou diferença no início e no final do jogo, mas o teste de rapidez teve resultados superiores após os 90 minutos. Os árbitros apresentaram quase 20% de melhora no teste de rapidez ao final do jogo.
Fonte: Tese de doutorado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Foto ilustrativa |