CRÔNICA DO ÁRBITRO DE FUTEBOL

 

Escritores: Manoel Roxo e Pedro Paulo de Jesus (foto) - Assistente FERJ

Árbitro de futebol. Poderia ser "apenas" mais uma profissão (profissão?) se não mexesse com uma paixão nacional...o futebol. Quem nunca foi a um estádio para ver um jogo e xingou o árbitro, mesmo sabendo que ele estava correto em sua marcação?

Polêmica ou não, a presença do juiz de futebol se faz necessária. Ouso dizer que graças à presença deste ilustre senhor (e hoje também senhoras), a violência de nossas cidades, de nossos lares, é menor. Quem vai ao estádio de futebol acaba fazendo uma verdadeira catarse. Sua alma fica mais leve, é verdadeiramente terapêutico.
Árbitro de futebol, esse ser que um dia só usava preto e hoje vemos até de rosa, trazem uma certa magia, a começar quando pisam o gramado. São os primeiros a entrar no palco sagrado, e neste momento já recebem as primeiras manifestações, os primeiros "elogios", isso sem eles se quer darem um único sopro no apito ou levantar a bandeira. Que sina! Talvez no íntimo carreguem a certeza de que sua profissão tem uma certa missão. Alguém consegue imaginar uma partida de futebol sem o apito do Árbitro de Futebol?

Vou comparar aqui o apito do Árbitro de futebol com a batuta do maestro. Todos na orquestra sabem o que fazer, em que momento executar o seu instrumento e, mesmo assim, em alguns momentos poderemos sentir ou ouvir algum instrumento desafinado, ou algum músico andar fora do tom. Assim acontece com o grande regente do futebol: O ÁRBITRO.

No seu apito inicial começa o grande espetáculo, todos sabem o que fazer e o que não fazer, alguns exageram nas faltas (instrumento desafinado) e são advertidos, outros tem em seus dribles (os solos musicais) momentos de rara beleza, e culminando com o gol (aplauso consagrador) do público e da galera.

Nessa história, há apenas uma diferença. O maestro da orquestra tem quase sempre o seu aplauso, e o árbitro de futebol, se não tiver tido uma atuação "comprometedora", sai em silêncio rumo ao seu vestiário (talvez esse seja um dos poucos momentos ingratos do futebol, ser procurado só em caso de uma atuação polêmica!).

Por vezes me pego pensando se em uma partida de futebol, em que o Árbitro não é xingado uma única vez, não bate nele uma
certa frustração, se ele não vai para casa meio que depressivo, como se tivesse a certeza de não ter cumprido com sua missão. Amado ou odiado, viva o Árbitro de futebol.

 

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