CBF cria ranking nacional de árbitros
Experiência será o primeiro critério utilizado para montar a classificação,
A Confederação Brasileira de Futebol vai elaborar ranking de árbitros e assistentes, que terá como principais critérios a experiência de cada um e a quantidade de jogos que apitaram. A idéia partiu de Ricardo Teixeira em setembro do ano passado, depois que o Estado publicou as notas vexatórias alcançadas pela maioria dos 416 juízes e bandeiras num teste teórico.
O ranking está sendo preparado pela comissão de arbitragem da CBF e será apresentado a Teixeira em abril. Quando as Séries A e B começarem, em maio, a classificação já estará pronta. O presidente da comissão de arbitragem, Sérgio Corrêa da Silva, confirma a criação do ranking. “Queremos criar um critério definitivo, que finalmente possa balizar a escolha dos árbitros para os jogos.”
Levantamento preliminar ao qual o Estado teve acesso mostra que o primeiro do ranking deve ser o gaúcho Carlos Eugênio Simon, seguido de Sálvio Espínola (SP), Paulo César de Oliveira (SP), Wagner Tardelli (SC), Héber Roberto Lopes (PR) e Leonardo Gaciba (RS). A ordem pode mudar por causa dos jogos da Taça Libertadores e da Sul-Americana, que não tiveram peso definido.
EXPERIÊNCIA EM 1º LUGAR
Para ser montado o ranking, a CBF adotou a experiência como principal critério. Cada jogo apitado no Campeonato Brasileiro da Série A vale 1 ponto; na Copa do Brasil, 0,8 ponto. Na Série B, 0,6 ponto; na Série C, 0.4 ponto. O desempenho do árbitro em cada uma dessas partidas não será levado em conta.
“Não temos como saber se o árbitro foi bem ou mal em cada jogo. Se o cara foi bem num Corinthians x Palmeiras, mas falhou num jogo de menor importância, qual peso teria cada jogo?”, argumenta Corrêa da Silva. “Não queremos crucificar ninguém por alguns erros.”
Juízes e bandeiras que participaram de Copa do Mundo ganham um bônus de 150 pontos. Copa América vale 100 pontos e Mundial Sub-20, 75 pontos. Quem estiver há mais tempo no quadro da CBF também será beneficiado, porque a classificação prevê 100 pontos para cada ano de experiência.
O presidente da comissão de arbitragem diz que os critérios devem mudar ainda em 2008. “Primeiro vamos fechar esta classificação e usá-la no começo do Campeonato Brasileiro”, conta Corrêa da Silva. “Mas, para o segundo turno, já teremos outra.” Então, além dos pontos “por experiência”, o ranking vai considerar os resultados em avaliações físicas e teóricas promovidas pela CBF e pelas federações estaduais.
Arnaldo César Coelho, ex-árbitro e comentarista da TV Globo, critica os critérios adotados. “Tem jui que está há muito tempo por aí e nunca se destacou”, pondera. “E vai aparecer em melhor lugar no ranking do que jovens com qualidade muito maior”, imagina. “O melhor é escalar o árbitro e os assistentes de acordo com as características de cada partida”, recomenda. “O ranking só servirá para mecanizar a arbitragem. E futebol não é algo que pode ser mecanizado dessa forma.”